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05 outubro 2015

5 de Outubro, revolução e maçonaria (republicação)

O texto que hoje  republico para Vossa leitura celebra hoje 5 anos e foi escrito pelo Paulo M. e pode ser consultado no seu original aqui;  sendo que  na data da sua publicação teve um agradável debate de ideias na sua "caixa de comentários".

Assim, aqui fica o respetivo texto:

"5 de Outubro, revolução e maçonaria

Não pode deixar-se passar a data de 5 de Outubro - aniversário da implantação da República em Portugal - sem se falar na Maçonaria. É público e conhecido o papel que a maçonaria teve neste evento. De facto, a revolução não só terá sido promovida, arquitetada e executada - pelo menos em parte - por maçons, como a maçonaria terá na mesma participado ativamente de forma institucional.

O que poucos saberão é que tal modo de atuação é daqueles que distingue a Maçonaria Regular da Maçonaria Liberal. Não se questiona o mérito da causa, mas a forma e os meios utilizados. De facto, as razões invocadas para a revolução - o despotismo político-religioso, a ausência de liberdade de culto e da liberdade de consciência que se viviam no regime de então - são válidas e meritórias, e pode mesmo dizer-se que pertencem ao ideário maçónico. Todavia, algumas questões de fundo separam inexoravelmente as duas correntes da Maçonaria - Regular e Liberal - e podem ser apreciadas neste contexto.

Por um lado, tomemos a questão da discussão de política e religião em loja. Pelo que se sabe, esta revolução - como outras - foi preparada durante sessões de loja. Forçosamente se discutiu o mérito desta política sobre aquela e - sabendo-se que havia maçons quer na fação republicana quer na monárquica - certamente houve vozes minoritárias que viram os seus Irmãos, a sua Loja, e mesmo a sua Obediência, agirem como um corpo na prossecução de objetivos e de ideias contrários aos seus. Por fazer prevalecer, na escala dos valores, a harmonia fraterna, é que a maçonaria regular proíbe essas discussões, para que não se estabeleçam partidos opostos dentro das lojas, para que estas não escolham lados, e para que as grandes lojas não manifestem preferências que poriam, em qualquer dos casos, uns "de dentro" e outros "de fora".

Por outro lado, atente-se a que a maçonaria regular exige dos seus membros que sejam cidadãos cumpridores das leis do país. Ora, esta questão tem duas consequências. Por um lado, de forma mais imediata, implica que caso um maçon seja condenado pelo sistema judicial civil por um crime que tenha cometido, sofrerá quase que por certo uma sanção disciplinar no seio da sua Obediência, sanção essa que poderá mesmo constituir a sua expulsão (mas, evidentemente, ninguém é expulso por algo como uma multa de estacionamento). Por outro lado, esta exigência reflete-se nas Obediências, não sendo reconhecidas a nível internacional aquelas que, para existirem, impliquem que os seus membros cometam alguma ilegalidade; por exemplo, se as leis do país passarem a proibir a Maçonaria, e mesmo assim uma Grande Loja continue a existir - cometendo uma ilegalidade - ser-lhe-á retirado o reconhecimento internacional por parte das outras Grandes Lojas regulares. 

Tais condicionantes - a proibição de discussão política e religiosa, e a obrigação de cumprimento da lei do Estado - não se verificam na Maçonaria Liberal. Cada maçon que pertença a uma Obediência da Maçonaria Regular é livre de agir como a sua consciência lhe dite e continuar a ser maçon - desde que não cometa nenhum crime. Participar de  - e, especialmente, promover - uma revolução, atentando contra os órgãos do Estado, é um crime contra o mesmo Estado, e não é considerado pela Maçonaria Regular uma forma aceitável de se agir. Entendimento diametralmente oposto tem a Maçonaria Liberal, que argumenta que uma lei injusta não tem legitimidade, que crime seria observá-la, e que promove o seu derrube.

Dois pontos de vista.
Duas formas de agir.
Duas Maçonarias."

Paulo M.

21 setembro 2012

As ondas da fortuna



Um dia, passeando junto ao mar, aproximei-me de uma falésia com as minhas filhas, e mostrei-lhes as ondas revoltosas que fustigavam as rochas. Perguntou-me uma delas sobre aquelas enormes pedras: "Alguém as pôs ali? De onde vieram?". Expliquei-lhe que por debaixo do chão que pisávamos havia terra, areia, pedrinhas pequenas, argilas, e algumas pedras grandes. As ondas do mar e as marés iam corroendo a base da falésia, fazendo desabar partes desta, e dissolvendo depois as partículas menores em areia e em pó. Era daí que vinham as pedras.

//

Um maçom tem como principal objetivo tornar-se numa pessoa melhor. É para isso que a maçonaria existe: para tornar homens bons ainda melhores. Melhores não em termos absolutos, mas cada um relativamente melhor do que era antes, aos seus próprios olhos, e em face da sua própria realidade. Os objetivos de cada um, as estratégias de progresso, os critérios de sucesso, a cada um pertencem. É inútil tentarmos quer traçar quer percorrer o caminho do outro; em maçonaria cada um faz o seu próprio caminho. E, quando há vontade e meios, que fantásticos caminhos podemos percorrer!

Que bem nos sentimos quando a vida nos sorri! Nesses momentos sentimo-nos capazes de tudo, sentimo-nos os melhores homens da Terra, e juramos para connosco que estaremos sempre acima das vilezas da vida. Como é bom subir - e estar em cima! Como é gratificante sentirmo-nos bem connosco mesmos! O esforço paga-se a si mesmo, a consciência do progresso redobra-nos as forças, e ganhamos ânimo para sermos ainda melhores, e capazes de tudo.

Porém, tal como nas marés, a cada subida se segue uma descida. Quando a vida se torna mais dura e o sorriso menos espontâneo é, de repente, muito mais difícil manter o rumo ascendente e tornarmo-nos melhores a cada dia que passa. Pelo contrário, tudo ao nosso redor nos puxa para baixo, como o mar nos arrasta para o largo quando a maré desce. E quantas vezes damos por nós a lutar desesperadamente não por nos tornarmos melhores, mas apenas por não nos tornarmos piores!... Os tempos duros não melhoram os indivíduos; no entanto, dão mais realce aos melhores - àqueles que não se deixam levar pelas ondas.

São homens firmes, voluntariosos, obstinados, fazendo finca-pé perante as adversidades, quem serve de facto de apoio aos mais vulneráveis, quem mantém as sociedades coesas, e quem mais contribui para suportar os grandes embates da História. Orgulha-me saber que muitos destes homens foram maçons, que trabalharam integrados nas suas lojas, que nelas cresceram apoiados nos que os precederam, e foram suporte dos que vieram depois. Ser assim mesmo, composta de uns maiores, outros mais argilosos, outros mais ásperos, mas acima de tudo de gente diferente, é o que dá solidez a uma loja.

E saber que seremos todos, no fim, (des)feitos em areia e pó na implacável voragem das ondas, não restando memória das pedras que outrora tenhamos sido, nada ficando a longo prazo de legado ao futuro, tranquiliza-me em certa medida: faz com que cada homem não valha senão por si mesmo, aos seus próprios olhos, e à luz da sua própria consciência.

//

Na base da falésia restavam apenas as grandes pedras que o mar não conseguira ainda vencer. Onda após onda, maré após maré, mesmo estas viriam a soçobrar - mas não já. Pois enquanto estas se perfilassem no seu posto, a falésia estaria mais protegida da fúria inconstante do oceano. Sem elas a falésia não existiria. Mesmo quando fossem quebradas ou arrastadas, outras mas novas viriam tomar o seu lugar, vindas mais de cima, ou mais do interior. E quando, por fim, um dia a falésia deixar de existir, o mar, cansado de não ter mais onde bater, espalhará pelas praias do mundo tudo o que dela restou.


Paulo M.

03 novembro 2011

A pequena idade do gelo



A segunda metade do primeiro milénio da nossa era foi uma época de crescente prosperidade, que culminou no período entre os século XI e XIII. No seu apogeu, a vimos surgir na Europa as primeiras universidades, as primeiras cruzadas e a Magna Carta. Contudo, logo no século XIV a peste negra devassa a Europa, e durante cerca de quatro séculos viveu-se um período mais difícil. Sabemos o que se passou depois: entre 1775 e 1848 surge a "Idade das Revoluções", que alteraram o paradigma de governação, dando as monarquias absolutistas lugar às repúblicas e estados constitucionais. Era o tempo do Iluminismo, o século das Luzes, que iniciou um ciclo de permanentes e aceleradas transformações que não se fechou ainda.

Na figura acima podemos ver um gráfico estimado das temperaturas médias no hemisfério Norte no último milénio. É clara a diminuição de temperatura que se verificou especialmente entre 1500 e 1700. A figura não tem escala, mas estamos a falar de uma diferença da temperatura média, entre o máximo verificado por volta do ano 1300 e o mínimo por volta do ano 1600, de cerca de um grau Celsius. Muito pouco, dir-se-á.  Todavia, esse pouco foi o suficiente para a Gronelândia, povoada pelos Viquingues por volta do século XIV, viesse a ser praticamente abandonada trezentos anos depois, e o rio Tamisa gelasse no inverno durante o período mais frio, o que não sucedia antes nem sucede agora. Também causou, como se poderia esperar, visíveis e apreciáveis revezes nas colheitas agrícolas.

Não se sabe quais as causas desta diminuição de temperatura, mas supõe-se que possa ter sido causada por  uma diminuição da atividade solar que igualmente se constatou nesse período. Também não se pode demonstrar que a diminuição da temperatura esteve na origem de um aumento da fome e da pobreza, e por isso de maior instabilidade social, que veio a culminar nas revoluções dos séculos XVIII e XIX. Mas é credível que assim tenha sucedido.

Temos uma enorme tendência para ver o mundo pelos olhos da nossa própria espécie. Todavia, se virmos o que sucede a uma cultura de bactérias quando é objeto de aumentos ou diminuições de temperatura, constataremos que os efeitos são bastante semelhantes aos efeitos das mesmas alterações sobre os humanos. Nesta placa de Petri que habitamos, basta uma pequena flutuação de temperatura para causar aumentos ou diminuições da população, períodos de carestia ou prosperidade, ou alternância entre estabilidade política e revoluções.

Paulo M.

http://en.wikipedia.org/wiki/Little_Ice_Age
http://en.wikipedia.org/wiki/Causes_of_the_French_Revolution
http://stepwilh.blogspot.com/2010/07/hockey-stick-graph.html

14 julho 2011

Vem aí o 22º Veneravel

À semelhança de anos anteriores na primeira sessão do mês de Julho a Loja Mestre Affonso Domingues elege os seus Veneravel Mestre e Tesoureiro.

Para os cargos de Veneravel e Tesoureiro foram eleitos respectivamente Nuno L. e Vitor M. ambos mestres.

Vitor é uma das apostas da Loja. Não tendo sido iniciado na Mestre Affonso Domingues, nela ingressou vindo de outra Loja quando ainda era Companheiro, concluindo o seu tempo e passando a Mestre. A sua forma de estar não passou despercebida e a sua integração decorreu sem sobressaltos, tanto que hoje foi eleito tesoureiro.

Nuno pelo seu lado é já membro da Loja ha uns anos e progrediu paulatinamente passando por quase todos os oficios de Loja. Nuno apesar da sua antiguidade ainda está na "casa dos trintas" sendo por isso um jovem.

Porque esperamos trabalho de qualidade fomos absolutamente unanimes na escolha.

A instalação decorrerá, previsivelmente, na primeira sessão de Setembro.


José Ruah

01 maio 2011

O café: motor do Iluminismo



"Forte é o rei que tudo destrói, mais forte a mulher que tudo obtém, e ainda mais forte o vinho que afoga a razão."
Humberto Eco, em "A Ilha do Dia Anterior"


Desde há séculos que o Homem consome bebidas alcoólicas. A análise química de recipientes de cerâmica encontrados em povoações do Neolítico na China indicam que o consumo de bebidas fermentadas (neste caso, uma bebida à base de arroz, mel e fruta) já é velho de pelo menos 9000 anos. Há receitas de bebidas alcoólicas em placas de barro, e a arte Mesopotâmica mostra-nos indivíduos a beber de grandes potes por palhinhas.

Textos sumérios e egípcios de há quatro mil anos descrevem as propriedades medicinais do álcool, e os textos Hindus ayurvédicos descrevem quer os benefícios das bebidas alcoólicas quer as consequências do seu abuso. Na Grécia Clássica consumia-se vinho ao pequeno-almoço, e este fazia parte da dieta da maioria dos cidadãos de Roma no século I antes da nossa era.

Na Europa medieval toda a família bebia cerveja - os homens uma cerveja mais forte, as crianças uma mais fraca, e as mulheres uma de graduação intermédia. Também se consumia cidra e vinho de bagaço, sendo o vinho de uva reservado às classes mais altas. Em suma: a humanidade alcoolizava-se havia milénios, e a Europa da Idade Média acordava ébria e deitava-se embriagada. O torpor do álcool, transversal a toda a sociedade, obnubilava mesmo as mentes mais brilhantes.

Mas do Islão veio o grande redentor, quando os Turcos, após o falhado cerco a Viena de 1529, deixaram para trás alguns sacos de café. Rapidamente as sua propriedades foram conhecidas: "seca os humores frios, dispersa os gases, fortalece o fígado, é o remédio soberano para hidropsia e sarna, restaura o coração, alivia dor de barriga. O seu vapor é, de facto, recomendado para fluxões dos olhos, zumbido nos ouvidos, catarro, reumatismo, ou nariz pesado."

Foi assim que o café substituiu, em certa medida, a cerveja e o vinho, nos hábitos alimentares europeus. O dia passou a começar com um estimulante de baixas calorias, em vez de um entorpecedor calórico, o que produziu um novo paradigma de Homem: os corpos rotundos e maciços que podemos ver nas pinturas do século XVII - consequência do consumo excessivo de bebidas fermentadas - tornaram-se mais esbeltos e ágeis; as pessoas tornaram-se sóbrias e sérias; e o pensamento, a inteligência e razão - por fim libertos do seu etílico véu  - passaram a ser valorizados.


O consumo do café rapidamente se tornou num hábito cada vez mais vulgarizado e, com o vício da cafeína, começou a procura frenética de fontes desta maravilhosa droga, o que originou o aparecimento de comércio externo em larga escala, com todas as inerentes consequências para o desenvolvimento social.


O café, por outro lado, mantinha as pessoas suficientemente sóbrias para darem asas à criatividade e inventarem toda uma gama de pequenos melhoramentos do seu bem-estar diário, concedendo ao cidadão comum uma comodidade como nunca antes tinha experimentado.

Pode, por tudo isto, dizer-se que a paixão da civilização ocidental pelo café foi um dos verdadeiros motores do Iluminismo - e bem sabemos que só este criou as condições para o surgimento da Maçonaria Especulativa. Foi graças ao café que, finalmente de olhos bem abertos, do meio-dia à meia-noite, o Homem pôde iniciar o trabalho para o seu melhoramento, em busca de mais Luz e Sabedoria.


Paulo M.


Fontes: 
http://www.stephenhicks.org/2010/01/18/coffee-and-the-enlightenment/
http://solohq.solopassion.com/Articles/Cresswell/Making_the_Genius_Quicker_A_Complete_Hiftory_of_Man_According_to_Hif_Divers_Delightf_%28Part_Two%29.shtml
http://en.wikipedia.org/wiki/Alcoholic_beverage

05 outubro 2010

5 de Outubro, revolução e maçonaria


Não pode deixar-se passar a data de 5 de Outubro - aniversário da implantação da República em Portugal - sem se falar na Maçonaria. É público e conhecido o papel que a maçonaria teve neste evento. De facto, a revolução não só terá sido promovida, arquitetada e executada - pelo menos em parte - por maçons, como a maçonaria terá na mesma participado ativamente de forma institucional.

O que poucos saberão é que tal modo de atuação é daqueles que distingue a Maçonaria Regular da Maçonaria Liberal. Não se questiona o mérito da causa, mas a forma e os meios utilizados. De facto, as razões invocadas para a revolução - o despotismo político-religioso, a ausência de liberdade de culto e da liberdade de consciência que se viviam no regime de então - são válidas e meritórias, e pode mesmo dizer-se que pertencem ao ideário maçónico. Todavia, algumas questões de fundo separam inexoravelmente as duas correntes da Maçonaria - Regular e Liberal - e podem ser apreciadas neste contexto.

Por um lado, tomemos a questão da discussão de política e religião em loja. Pelo que se sabe, esta revolução - como outras - foi preparada durante sessões de loja. Forçosamente se discutiu o mérito desta política sobre aquela e - sabendo-se que havia maçons quer na fação republicana quer na monárquica - certamente houve vozes minoritárias que viram os seus Irmãos, a sua Loja, e mesmo a sua Obediência, agirem como um corpo na prossecução de objetivos e de ideias contrários aos seus. Por fazer prevalecer, na escala dos valores, a harmonia fraterna, é que a maçonaria regular proíbe essas discussões, para que não se estabeleçam partidos opostos dentro das lojas, para que estas não escolham lados, e para que as grandes lojas não manifestem preferências que poriam, em qualquer dos casos, uns "de dentro" e outros "de fora".

Por outro lado, atente-se a que a maçonaria regular exige dos seus membros que sejam cidadãos cumpridores das leis do país. Ora, esta questão tem duas consequências. Por um lado, de forma mais imediata, implica que caso um maçon seja condenado pelo sistema judicial civil por um crime que tenha cometido, sofrerá quase que por certo uma sanção disciplinar no seio da sua Obediência, sanção essa que poderá mesmo constituir a sua expulsão (mas, evidentemente, ninguém é expulso por algo como uma multa de estacionamento). Por outro lado, esta exigência reflete-se nas Obediências, não sendo reconhecidas a nível internacional aquelas que, para existirem, impliquem que os seus membros cometam algume ilegalidade; por exemplo, se as leis do país passarem a proibir a Maçonaria, e mesmo assim uma Grande Loja continue a existir - cometendo uma ilegalidade - ser-lhe-á retirado o reconhecimento internacional por parte das outras Grandes Lojas regulares. 

Tais condicionantes - a proibição de discussão política e religiosa, e a obrigação de cumprimento da lei do Estado - não se verificam na Maçonaria Liberal. Cada maçon que pertença a uma Obediência da Maçonaria Regular é livre de agir como a sua consciência lhe dite e continuar a ser maçon - desde que não cometa nenhum crime. Participar de  - e, especialmente, promover - uma revolução, atentando contra os órgãos do Estado, é um crime contra o mesmo Estado, e não é considerado pela Maçonaria Regular uma forma aceitável de se agir. Entendimento diametralmente oposto tem a Maçonaria Liberal, que argumenta que uma lei injusta não tem legitimidade, que crime seria observá-la, e que promove o seu derrube.

Dois pontos de vista.
Duas formas de agir.
Duas Maçonarias.

Paulo M.

01 julho 2009

Os segredos de Rosslyn (III)

(... continuação)

O Segredo das Pedras

Tendo descoberto irrefutáveis evidências que um alto grau da Maçonaria era conhecido por William St Clair, começámos a olhar mais atentamente do que antes para os mínimos detalhes do intrincado interior e exterior esculpido de Rosslyn. Uma pequena, porém fantástica descoberta, era a gravação de dois homens, lado a lado. Apesar desta escultura exterior estar danificada pelas intempéries e possuir aproximadamente trinta centímetros de altura, pudemos observar muito bem a maior parte dos seus detalhes. Ela mostra um homem vendado com vestimentas medievais, ajoelhado e segurando na sua mão direita um livro com uma cruz na capa, tendo os seus pés colocados de modo a formar um esquadro. Em torno do pescoço do homem há um nó corrediço, sendo a ponta deste segurada por um segundo homem que estava veste um manto templário com a cruz distintiva mostrada no seu peito.

Quando descobrimos esta pequena gravação, procurámos Edgar Harborne, uma autoridade da Grande Loja Unida da Inglaterra. Somados, tínhamos aproximadamente setenta anos de experiência maçónica e sabíamos exactamente o que estávamos a olhar. Edgar estava empolgado e surpreso, assim como nós, pois não havia qualquer dúvida; esta era a imagem de um candidato à Maçonaria durante o processo de sua iniciação no ponto crítico de seu juramento de obrigação. A forma dos pés, o cordame, a venda, o volume da lei sagrada - esta imagem mostra um homem sendo admitido na Maçonaria cinco séculos e meio atrás! Ainda mais, esta pequena estátua era a primeira representação visual de um Templário conduzindo uma cerimonia que nós agora consideramos ser unicamente maçónica.

O facto de ela apresentar um Templário conduzindo um candidato implica que a escultura estava a demonstrar um evento histórico que datava do período templário, deste modo ela poderia estar a mostrar-nos uma cerimónia maçónica de setecentos anos de idade.

Dentro da edificação, nós analisamos cada uma das pequenas esculturas. Isto era difícil, devidoa, em algum ponto do passado recente, alguma alma caridosa ter cobrerto completamente o interior com uma massa de areia e cal numa mal sucedida tentativa de proteger o trabalho de cantaria, o que obscureceu os pequenos detalhes.

No alto de dois meio pilares construídos na parede meridional, com uma altura de aproximadamente três metros, nós descobrimos pequenas representações que eram extremamente interessantes. Uma destas com apenas alguns centímetros de altura mostra um grupo de figuras com uma pessoa transportando uma peça de tecido, que tem no centro a face de um homem barbado e com cabelos longos. A figura que transporta o tecido não tem cabeça e, uma vez que há poucos danos ao edifício, parece, como pensamos, que ela foi deliberadamente removida. Isto fez-nos olhar para outras cabeças e ficámos impressionados pela distintiva aparência de cada uma delas. As faces não são amenas ou anónimas, como normalmente se vêem em edifícios semelhantes; elas dão a impressão de que eram deliberadamente semelhantes a indivíduos conhecidos - quase como máscaras mortuárias em miniatura.

Só nos restava especular: esta pequena estatueta representa alguém segurando o Sudário de Turim?

Só existem duas explicações para tal imagem: é o Sudário de Turim que está sendo transportado ou é aquilo que conhecemos por "Veránica"?.

A lenda não-bíblica de Santa Verónica narra como uma mulher (frequentemente associada à Maria Madalena) deu o seu manto (em algumas versões o seu véu) a Jesus para enxugar a sua face quando ele estava a deixar o Templo ou no caminho do Calvário transportando a sua cruz. Quando esta tomou o manto de volta, neste havia a imagem da face miraculosamente impressa no tecido. Estudiosos modernos acreditam que o nome "Verónica" é derivado do latim vera e do grego eikon, significando "a verdadeira imagem". O nome e a ideia são um tanto suspeitos, uma vez que a Igreja Católica Romana não reconhece uma santa chamada Verónica. Apesar desta negação de beatificação, o "manto original" pode ser encontrado na Basílica de São Pedro na Cidade do Vaticano.

Isabel Piczek, uma artista que tem estudado o Sudário de Turim e que provou que este não poderia ser uma pintura, esteve numa visita não oficial para ver a Verónica na Basílica de São Pedro. Ela descreveu esta experiência ao pesquisador do Sudário, Ian Wilson:

Sobre ele estava um pedaço de tafetá colorido do tamanho de uma cabeça, do mesmo tipo do sudário, levemente acastanhado. Ele não parecia estar remendado, apenas uma mancha de cor ferrugem acastanhada. Parecia um pouco desigual, excepto por algumas descolorações trançadas... Mesmo com a melhor das imaginações, você não é capaz de deslumbrar qualquer rosto ou imagem dele, nem mesmo a mais leve sugestão disto.

Estávamos cientes que esta antes inexpressiva relíquia "sagrada", ou a ideia por trás dela, possa ser anterior ao advento do Sudário, mas não era certamente logo após as exibições públicas do Sudário de Turim em Lirey que a popularidade de uma imagem do rosto sagrado cresceu. O Padre Thurston, um historiador cristão, categoricamente estabelece que a lenda da Verónica, como apresentada na actual Estações da Via Dolorosa, não pode ser datada de antes do final do século XIV. Tal datação significaria que a lenda surgiu após a primeira exibição pública do Sudário de Turim em 1357.

A cabeça de Cristo tem sempre sido representada nos ícones como tendo longos cabelos repartidos ao meio e com uma barba espessa e quando um pedaço de tecido surgiu com tal representação poderia ter difundido a ideia de uma "Verónica".

A coluna seguinte em Rosslyn possui uma cena igualmente pequena que mostra uma pessoa sendo crucificada, mas estranhamente, uma vez mais a cabeça foi removida. Os únicos danos aparentemente deliberados que nós conhecemos na edificação são as das cabeças portando o rosto no tecido e da pessoa crucificada. É como se alguém sentisse a necessidade de ocultar a identidade por detrás destas imagens. Nós imaginamos se a pessoa que encobriu o pilar de Jachin com gesso também removeu as cabeças dessas figuras chaves?.

Se estes eram uma simples Verónica e uma representação padrão de Jesus na cruz, não haveria necessidade de desfigurar os principais rostos.

A figura crucificada não está pregada numa ideia normal da cruz cristã, onde a parte superior continuava afim da trave horizontal, mas numa cruz na forma de um Tau judaico que possuí a forma de um T. As representações cristãs medievais frequentemente mostram uma segunda trave representando a placa que com zombaria, proclamava Jesus como sendo o Rei dos Judeus - mas nunca mostra uma cruz Tau.

"Tau" é a última letra do alfabeto hebraico e, como a letra grega "Omega", representa o fim de algo, especialmente a vida. É também verdade que a maioria das crucificações romanas eram feitas em estruturas com este formato, mas nenhum construtor do século XV teria condições de saber isto. Parece que o criador desta pequena gravação ou era muito bem informado a respeito da metodologia das crucificações romanas ou estava deliberadamente utilizando a simbologia judaica para a morte. Aquando da pesquisa para o nosso livro anterior, nós tinhamos trabalhado com a ideia de que a imagem do Sudário de Turim poderia ser a do último Grão-Mestre dos Templários e, se as nossas suspeitas de que o Sudário de Turim é a imagem de Jacques de Molay estiver correcta, nós poderíamos esperar que William St Clair estivesse atento a este facto, uma vez que a sua família esteve intimamente envolvida com os Templários que tinham fugido para a Escócia após a queda da Ordem - mas por que é que ele está representado desta forma? Talvez o Sudário seja muito mais importante do que tinhamos pensado.

O corpo governante da Maçonaria Inglesa e Gaulesa, a Grande Loja Unida da Inglaterra, é enfático sobre o facto de nada ser conhecido ao certo sobre a história da organização anterior à fundação da Grande Loja de Londres em 1717. Tem sido crítico para nós sugerir que há uma história a ser descoberta para aqueles que escolheram procurar, e aqui, em Rosslyn, nós possuíamos provas positivas de que os rituais maçónicos são pelo menos duzentos e setenta e cinco anos mais antigos do que a história oficial da Maçonaria, como definida pela Grande Loja Unida da Inglaterra.

O nosso próximo passo de pesquisa era olhar atentamente para como e porque a Maçonaria Inglesa perdeu contacto com seu passado e estabelecer o que está sendo escondido, se for o caso, por trás de uma cega recusa em conhecer qualquer história anterior a 1717.

Conclusão

Parece que os Cavaleiros Templários conheciam o que estavam à procura quando iniciaram sua escavação de nove anos e o seu voto de obediência fortemente sugere que outros estavam envolvidos por detrás disto tudo.

Rosslyn é uma cópia deliberada das ruínas do Templo de Herodes com um projecto que é inspirado na visão de Ezequiel da nova "Jerusalém Celeste". As pistas para a compreensão da edificação estavam colocadas dentro do então secreto ritual do Grau do Santo Real Arco da Maçonaria. William St Clair utilizou este método para nos contar que a edificação é "o Templo de Jerusalém", "uma chave para um tesouro" e "um lugar onde algo precioso está oculto", ou "a própria coisa preciosa".

A grande parede ocidental de Rosslyn pode ser conclusivamente encarada como uma reconstrução de parte do Templo de Herodes, e o nome "Roslin" possui o surpreendente significado "o antigo conhecimento passado ao longo de gerações", quando compreendido a partir do gaélico. A razão para este nome não está clara, mas Henri St Clair de Roslin era excepcionalmente íntimo de Hugues de Payen, o líder dos primeiros Templários.

Uma gravação no exterior claramente mostra um candidato sendo iniciado na "Maçonaria" por um homem usando um traje templário, e uma inscrição dentro da edificação demonstra que os construtores estavam familiarizados com um dos altos graus da Maçonaria, trezentos anos antes da data anteriormente aceita de sua origem.

Uma gravação dentro da edificação parece mostrar o Sudário de Turim sendo transportado por alguém e uma outra que mostra a crucificação de uma pessoa sem cabeça numa cruz Tau judaica. Talvez o Sudário de Turim esteja directamente conectado à história que Rosslyn narra em pedra.

Tradução livre de Texto de Dr. Robert Lomas e Christopher Knight

Os autores:

  • Christopher Knight nasceu em 1950 e em 1971 concluiu os seus estudos formando-se em publicidade e desenho gráfico. Demonstrou um forte interesse no comportamento social e no sistema de crenças tendo por muitos anos actuado como analista de consumo envolvido no planeamento de novos produtos e nas suas estratégias de vendas. Em 1976 tornou-se Maçon e actualmente é presidente de uma agência de publicidade e marketing.
  • Dr. Robert Lomas nasceu em 1947 e graduou-se com honra em engenharia eléctrica, dedicando-se após isso a pesquisa no campo de física dos estados sólidos. Mais tarde trabalhou no sistema de direcção para os mísseis Cruise e esteve envolvido no desenvolvimento de computadores pessoais mantendo sempre o seu interesse sobre história da ciência. Actualmente lecciona no Centro de Administração da Universidade de Bradford. Em 1976 tornou-se Maçon e rapidamente se tornou um conceituado orador e palestrante sobre a história da Maçonaria nas Lojas da região de West Yorkshire.

30 junho 2009

Os segredos de Rosslyn (II)

(... continuação)

Plano de Rosslyn

Wilson iniciou um levantamento de toda a cidade de Jerusalém para a padronização do Levantamento de Artilharia em 1865 e, em Fevereiro de 1867, o tenente Warren chegou para empreender uma escavação dentro das galerias debaixo da área do Templo. Um dos diversos diagramas produzidos por Warren Ilustra o grau de dificuldade que eles encararam e ajuda a explicar o porquê dos Cavaleiros Templários terem levado nove anos para realizar as suas escavações.

A maior parte da edificação de Rosslyn foi projectada como uma interpretação da visão de Ezequiel da Jerusalém reconstruída ou "celeste" com suas muitas torres e pináculos. Uma das partes da edificação que é claramente diferente é a parede ocidental que foi construída em proporções maiores. A explicação oficial para esta escala maior é a de que a própria "capela" seria somente uma capela lateral de uma igreja colegiada muito maior. Os actuais guardiões de Rosslyn admitem que esta explicação é uma suposição, uma vez que não existem evidências de que esta fosse a intenção de William St Clair. Certamente, qualquer parede que permanecesse sozinha poderia ser parte de uma edificação que tenha sido praticamente demolida. Neste caso há uma terceira opção: a de que a parede seja uma réplica de uma edificação praticamente demolida, deste modo, nunca haveria uma outra parte - nem actual, nem pretendida.

Inicialmente, parecia ser assim, embora fosse impossível encerrar de modo conclusivo o debate.

Após a publicação do nosso livro anterior, estivemos em contacto com um grande número de pessoas, muitas das quais possuíam informações para nós ou estavam em posição de nos ajudar. Entre estas pessoas encontrava-se Edgar Harborne que é um conceituado Maçon, sendo um Past Grande Mestre de Cerimónias Assistente da Grande Loja Unida da Inglaterra.

Edgar é também um estatístico e integrava uma sociedade de pesquisa na Universidade de Cambridge, onde era patrocinado pelo Ministro da Defesa para analisar a rendição e os pontos cruciais dos campos de batalha. Ele foi capaz de confirmar que a nossa tese a respeito da morte de Seqenenre Tao, o rei da décima sétima dinastia do Antigo Egipto, era altamente plausível devido aos ferimentos que não eram totalmente típicos daqueles encontrados em antigas batalhas.

Edgar foi perspicaz ao visitar Rosslyn em companhia do seu bom amigo Dr. Jack Millar que é o director de estudos de uma famosa universidade. Felizmente para nós, Jack é um geólogo de considerável fama, com aproximadamente duzentas publicações académicas em seu nome.

No inicio de Agosto de 1996, Edgar e Jack voaram até Edimburgo onde nos encontrámos, numa sexta-feira à tarde, e imediatamente nos dirigimos para Rosslyn para uma avaliação do terreno como precursora de uma investigação de solo mais profunda. Lá, encontrámo-nos com Stuart Beattie, o director de projecto de Rosslyn, que gentilmente nos abriu o edifício. Edgar e Jack passaram algumas horas absortos pela beleza e complexidade da obra de arte, e então retirámo-nos para o hotel para discutir o nosso plano de acção para o dia seguinte. Ambos os homens estavam muito excitados e conversámos muito sobre o que tinhamos visto. Entretanto, Jack esperou até o café da manhã do dia seguinte para nos contar que ele tinha notado algo sobre a parede ocidental que ele acreditava que acharíamos interessante. Quando voltámos a Rosslyn ele explicou:

"Este debate sobre se a parede ocidental é uma réplica de uma ruína ou uma secção inacabada de uma edificação muito maior...", disse Jack, apontando para o lado do noroeste. "Bem, há somente uma única possibilidade - e eu posso assegurar-lhes que vocês estão correctos. Aquela parede ocidental é um disparate".

Nós ouvimos atentamente as razões que poderiam provar os nossos argumentos. "Há duas razões do porquê de eu poder assegurar que isto é um disparate. Inicialmente, enquanto aqueles suportes possuem uma integridade visual, os mesmos não possuem nenhuma integridade estrutural; a cantaria não está presa completamente à secção central principal. Qualquer tentativa de construir além teria resultado em um colapso estrutural... E o povo que construiu esta "capela" não era tolo. Eles simplesmente nunca pretenderam ir além". Nós olhámos para onde o Jack estava a apontar e pudemos ver que ele estava absolutamente certo.

Ele continuou: "Ainda mais, venham até aqui e dêem uma olhada nas pedras de canto". Jack andou até o canto e nós seguimo-lo, de modo que todos estivéssemos diante das desiguais paredes arruinadas que possuíam pedras projectando-se na direcção do ocidente. "Se os construtores tivessem interrompido o trabalho por causa da falta de dinheiro ou apenas para completarem posteriormente, eles teriam deixado um trabalho de cantaria perfeitamente esquadrinhado, mas estas pedras tinham sido deliberadamente trabalhadas para aparentar estarem danificadas - exactamente como uma ruína. Estas pedras não foram expostas às intempéries como aquela... Elas foram cortadas para parecerem com uma parede arruinada".

A explicação de Jack foi brilhantemente simples.

No início daquele ano, nós tinhamos trazido o Professor Philip Davies, do Departamento de Estudos Bíblicos da Universidade de Sheffield e o Dr. Neil Sellors, um colega de Chris, até a Escócia onde fomos convidados do Barão St Clair Bonde, um descendente directo de William St Clair e um dos conservadores da Capela de Rosslyn.

Nós dirigimo-nos à inacreditavelmente bela moradia do Barão em Fife onde nós fomos muito bem recebidos por ele e pela sua esposa sueca, Christina, e onde nos foi servida uma esplêndida refeição sueca e nos foi apresentado um outro conservador, Andrew Russell e sua esposa Trish.

Na manhã seguinte, fomos todos visitar Rosslyn onde o Professor Davies tinha marcado um encontro com seu velho amigo o Professor Graham Auld, o Reitor da Divindade da Universidade de Edimburgo. Os dois pesquisadores bíblicos estudaram a edificação por dentro e por fora e então dirigiram-se ao longo do vale para a ver de uma certa distância. Ambos os homens conheciam muito bem Jerusalém e de facto concluíram que a construção era um notável remanescente do estilo herodiano.

Olhando a partir do exterior da parede norte, Philip repetiu as suas impressões: "Este não se parece com qualquer lugar de veneração cristã. A impressão esmagadora é a de que foi construída para abrigar algum grande segredo medieval".

Juntando os argumentos destes conceituados académicos das universidades de Cambridge, Sheffield e Edimburgo, parece que nós tinhamos provado o nosso argumento de que Rosslyn foi projectada como uma réplica do Templo de Herodes.

O Barão St Clair apontou que mais de 50% do grande número de figuras esculpidas na edificação seguram rolos de pergaminhos ou livros e um pequeno friso é arrematado com uma cena que parece mostrar algo como rolos de pergaminhos a serem colocados em caixas de madeira com uma sentinela colocada portanto uma chave encimada com um esquadro. O esquadro é uma peça fundamental do simbolismo maçónico. Esta e outras evidências a partir das esculturas convenceram-nos de que os manuscritos dos Nazoreanos que nós já sabíamos terem sido removidos debaixo do Templo de Herodes pelos Cavaleiros Templários estavam aqui em Rosslyn.

Uma Linha de Conhecimento

Sempre nos impressionou, como uma forte curiosidade, que o nome da "capela" é escrita como Rosslyn, enquanto que o da vila em torno desta é escrita como Roslin. Ao pesquisarmos sobre esta diferença, foi-nos dito que se passou a escrever o nome com um duplo "s" e com "y" somente a partir da década de 1950 como uma forma de tornar o lugar um pouco mais celta.

Nós sabemos que os lugares com nomes celtas possuem sempre um significado, mesmo sendo estes muito cumpridos, como a vila gaulesa de Llanfairpwllgwyngethgogerwyllyndrobwllllantisiliogogogoch, e que contém uma completa descrição do lugar. (esta última significa: A Igreja de Santa Maria próxima ao rápido moinho d'água ao lado da côncava aveleira branca oposta à caverna vermelha de São Sílio). Assim, ficámos curiosos sobre o significado gaélico de "Roslin" que frequentemente tem sido explicada como uma queda dágua ou promontório, apesar desta não descrever o local nem agora e nem em qualquer época passada. As palavras comuns em gaélicos para promontório são roinn, rubha, maoil ou ceanntire e para queda d'água são eas ou leum-uisge. Um significado adicional para Ross, ocorrendo apenas em nomes de origem irlandesa, é promontório de madeira, que somente se poderia formar usando esta definição, se o nome possuísse conexões irlandesas (ou se os pesquisadores anteriores tivessem usado um dicionário gaélico-irlandês por engano).

Com fluência em gaélico, Robert sabia que o som fonético "Roslin" poderia ser escrito como "Rhos Llyn" que significa "lago acima do pântano". Sem ser surpreendente, entretanto, estas palavras oriundas de Gales não descrevem o lugar de forma melhor que as irlandesas e, deste modo, procuramos as duas sílabas num dicionário gaélico-escocês que nos forneceu a seguinte definição:

  • Ros: um substantivo que significa conhecimento.
  • Linn: um substantivo que significa geração.

Parece que em gaélico, Roslinn poderia ser traduzido por conhecimento das gerações.

Estamos certos de que confiar em dicionários resulta sempre em traduções curiosas e sendo assim, decidimos recorrer a alguém que realmente conhecesse a língua gaélica (correctamente conhecida por gaélica e nunca como gaulesa).

Durante uma visita à Grande Loja da Escócia em 1996, fomos apresentados à Tessa Ransford, a directora da Biblioteca de Poesia Escocesa em Edimburgo. Nós ficámos extremamente lisonjeados ao descobrir que ela, uma notável poetisa escocesa, tinha escrito um poema para louvar o nosso livro anterior. Um dos propósitos principais da Biblioteca é tornar acessível ao público a poesia da Escócia em qualquer língua que tenha sido escrita; isto significa que Tessa, que é casada com uma pessoa fluente em gaélico, se reunia regularmente com um grande número de pessoas que possuíam um conhecimento detalhado da língua.

Nós contactamos a Tessa e pedimos para ela verificar se a nossa interpretação do nome Roslin estava correcta e ela gentilmente concordou em discuti-la com especialistas desta língua. Alguns dias mais tarde, ela procurou-nos dizendo que a nossa tradução não tinha considerado uma significante pista contida na palavra "Ros" que mais correctamente carrega um significado que a faz ser mais especificamente ser "antigo conhecimento"; deste modo, a tradução que ela confirmava era mais precisamente: antigo conhecimento passado ao longo das gerações.

Tessa e os seus colegas estavam realmente excitados e nós estarrecidos com esta ainda mais poderosa interpretação que aparentava encaixar-se perfeitamente com o propósito de Rosslyn ser considerada como um santuário de antigos manuscritos.

A próxima questão era: quando é que a palavra "Roslin" ou "Roslinn" (uma vez que não havia uma padronização da escrita naqueles dias) foi usada inicialmente? Nós sabíamos que ela era anterior à construção da "capela" de William St Clair, o que poderia indicar que os manuscritos removidos debaixo do Templo de Herodes tinham sido mantidos no castelo antes da "capela" ter sido construída.

Através de uma breve investigação, rapidamente descobrimos que a história dos St Clair, na Escócia, iniciara-se com um cavaleiro chamado William St Clair que popularmente era conhecido como William, o Gracioso. William era natural da Normandia e a sua família era conhecida oponente do Rei Guilherme I, o normando que conquistou a Inglaterra em 1066. William St Clair considerava que ele possuía um bom motivo para reivindicar o trono da Inglaterra através de sua mãe Helena, que era filha do quinto Duque da Normandia, uma vez que Guilherme, o Conquistador, era o filho ilegítimo de Roberto, Duque da Normandia, com a filha de um curtidor que se chamava Arletta. A família St Clair ainda se refere ao Rei Guilherme I simplesmente como Guilherme, o Bastardo.

William, o Gracioso, foi o primeiro St Clair a mudar-se da Normandia e naturalmente falava apenas o francês, mas o seu filho Henri foi educado sob a forte regra celta de Donald Bran e, deste modo, falava o gaélico tão bem como o francês normando (assim como todos os St Clair posteriores até o tempo de Sir William, o construtor da "capela"). Nós descobrimos que foi este Henri St Clair quem primeiro portou o título de Barão de Roslin, logo após ter voltado da Primeira Cruzada.

Esta data foi um grande desapontamento para nós uma vez que ela desestruturou a nossa bela teoria. Henri teria voltado da Cruzada por volta do ano 1100, oito anos antes dos Templários iniciarem suas escavações, e deste modo o nome Roslin (antigo conhecimento passado ao longo das gerações) não poderia ser uma referência aos manuscritos que nem ainda tinham sido descobertos. Contudo, nós reflectimos e pensámos que tinhamos descoberto algo novo e muito importante para a nossa pesquisa. Nós recusávamo-nos a acreditar que seria uma mera coincidência o facto de Henri ter usado um nome de tal significado para o seu novo título e, sendo assim, começámos a pesquisar em busca de novas pistas.

Logo após, descobrimos que Henri St Clair tinha lutado nas Cruzadas e marchado para Jerusalém ao lado de Hugues de Payen, o fundador dos Cavaleiros Templários. Além disso, após Henri ter escolhido "Roslin" como seu título, Hugues de Payen casou-se com a sobrinha de Henri e foram-lhe dadas terras na Escócia como um dote. As conexões estavam além da controvérsia, mas o que é que elas significavam? Henri estava, através da escolha de seu título, sinalizando que possuía um conhecimento especial da antiga tradição, ou era, talvez, apenas uma partida pregada por Henri para seu próprio divertimento? Parece que a nossa intuição de que o os nove Cavaleiros que formavam os Templários sabiam o que estavam procurando estava correcta, mas nós não poderíamos imaginar como eles poderiam saber o que estava enterrado sob o Templo de Herodes. Talvez, um melhor estudo da edificação revelaria alguma pista.

Os Cavaleiros da Cruz Vermelha da Passagem da Babilónia

A nossa descoberta de que Rosslyn possuía conexões incontestáveis com os graus da Maçonaria moderna causou muito interesse após a publicação d'A Chave de Hiram e muito pesquisadores nos procuraram. Um deles era um historiador maçónico da Bélgica chamado Jacques Huyghebaert. Jacques enviou-nos um e-mail perguntando-nos sobre a origem da inscrição em latim gravada no arco da Capela de Rosslyn que tinhamos mencionado no nosso livro. Traduzida ela significa:

O VINHO É FORTE,

UM REI É MAIS FORTE,

AS MULHERES SÃO AINDA MAIS FORTES.

MAS A VERDADE CONQUISTARÁ A TODOS.

Este estranho lema é a única inscrição original em toda construção e era claramente de muita importância para William St Clair na década de 1440.

A mensagem electrónica de Jacques dizia:

Vocês poderiam me fornecer a versão original em latim desta inscrição que está esculpida no Santuário de Rosslyn? Vocês seriam capazes de a datar?

... Vocês conhecem um grau [maçónico] complementar que se ocupa da relação entre Vinho, Reis, Mulheres e a Verdade?

Este grau é chamado de "Ordem dos Cavaleiros da Cruz Vermelha da Babilónia" ou da "Ordem do Caminho da Babilónia" e na Inglaterra está intimamente relacionado ao Real Arco.

... O seu ritual é baseado no Livro de Esdras e os eventos que ocorreram durante o Cativeiro da Babilónia... De acordo com a lenda maçónica deste grau, Zorobabel, o Príncipe de Judá, solicitou uma audiência no Palácio na Babilónia, de modo a obter permissão para reconstruir o Templo do Altíssimo em Jerusalém.

O Rei da Pérsia, demonstrando a sua boa vontade sobre esta permissão, disse "que tem sido um costume desde tempos imemoriais, entre os Reis e os Soberanos desta região, em ocasiões como esta propor certas questões". A questão que Zorobabel deveria responder era: "Qual delas é a mais forte, a Força do Vinho, a Força dos Reis ou a Força das Mulheres?"

Nós estávamos muito empolgados com as boas novas e respondemos a Jacques, dizendo que a existência desta inscrição em Rosslyn e o seu uso num alto grau da Maçonaria deveria estar além da coincidência. Ele respondeu-nos:

rosslyn_chapel_ap_col_6733Como vocês disseram, isto deve estar além da coincidência. Entretanto, eu recomendaria sermos cautelosos... Vocês poderiam verificar se esta inscrição não foi esculpida por um "espertinho" no século XIX ou XX, que tinha conhecimento deste grau, e a adicionou discretamente durante um recente trabalho de restauração?

Se, entretanto, por acaso a inscrição em latim em Rosslyn provar ser mais ANTIGA do que 1700, então não haverá dúvida de que vocês fizeram uma GRANDE DESCOBERTA, pois esta seria a primeira prova irrefutável de que os rituais dos altos graus eram trabalhados na Escócia tempos antes do seu lugar geralmente aceito e do seu período de criação: em França, após o ‘Discurso" do Chevalier Ramsay, isto é, a partir da década de 1740.

Imediatamente contactámos Judy Fisken, que era a curadora de Rosslyn àquela época, para estabelecer a origem da inscrição. Judy informou-nos que a pedra na qual a inscrição se encontrava gravada era uma parte intrínseca da estrutura da edificação e que ela estava certa de que as palavras gravadas datavam da construção da "capela", em meados de 1400. Assim, escrevemos a Jacques:

"As hipóteses da inscrição em latim ser uma adição posterior são iguais a zero. Nenhuma área do interior foi deixada sem ser esculpida e estas palavras não foram certamente sobrescritas a qualquer outra existente. O tipo de fonte certamente corresponde a do século XV. Também até 1835, a conexão maçónica com o edifício não era ainda amplamente conhecida para que alguém tivesse embocado sobre o pilar Jachin, fazendo parecer exactamente como os demais pilares, de modo que o significado maçónico dos pilares gémeos fosse escondido".

Uma noite, nós discutimos esta abordagem com Philip Davies e na manhã seguinte dirigimo-nos ao escritório de Chris com uma fotocópia dos dois Livros de Esdras que fazem parte apócrifa da Bíblia. Nós mantivemos Jacques a par das nossas pesquisas.

O Professor Philip Davies veio junto de nós com uma tradução completa do Livro de Esdras. A parte que nos interessou não é muito extensa, mas muito curiosa! Acredita-se que no texto original não havia o termo a "verdade" que fora adicionado posteriormente por um autor judeu.

O Rei tinha pedido à sua guarda pessoal para dizer o que era a coisa mais forte e contou-lhes que aquele que fornecesse a resposta mais sábia tornar-se-ia um igual ao Rei e desfrutaria de grandes riquezas. O homem que disse "a verdade é a mais forte" é feito nobre e então diz ao Rei:

"Lembrai de vosso juramento que fizestes um dia quando vós vos tornastes Rei, construir Jerusalém, e que enviaria de volta todos os vasos sagrados que foram tomados de Jerusalém que Ciro havia protegido quanto destruiu Babilónia e que prometera enviar para lá. Vós também jurastes construir o Templo que os Edomitas queimaram quando a Judeia caiu diante dos Caldeus".

Isto era importante para William St Clair, pois Rosslyn era a sua reconstrução do Templo, baseada no modelo do Templo de Herodes e na visão de Ezequiel da Nova Jerusalém.

Como você disse, tudo isso não pode ser coincidência.

rosslyn_chapel_ap_col_2398Neste meio tempo, nós tinhamos inquirido os nossos companheiros Maçons por qualquer informação sobre o ritual dos Cavaleiros da Passagem da Babilónia e descobrimos a nossa primeira referência numa publicação maçónica.

Cruz Vermelha da Babilónia: O mais profundo e místico dos Graus Maçónicos

Associados, este grau é similar aos graus 15º (Cavaleiro da Espada ou do Oriente), 16º (Príncipe de Jerusalém) e 17º (Cavaleiro do Oriente e do Ocidente) do Rito Escocês Antigo e Aceito. Os três pontos ou partes da cerimónia descendem de três dos graus praticados nos meados do século XVIII. Parte da cerimónia é semelhante à Passagem dos Véus dos ritos escoceses e do Campo de Balduíno... Para ser um membro dos Graus Maçónicos Associados você deve ter sido tanto um Maçon do Real Arco, como um Mestre Maçon da Marca.

Agora que sabíamos que o grau existia sob os auspícios do Grande Capítulo, rapidamente localizámos o ritual e este era uma fascinante leitura. O "Campo de Balduíno", pensámos inicialmente, parecia ser uma referência ao acampamento dos Cavaleiros Templários no terreno arruinado do Templo de Herodes sob os auspícios do Rei Balduíno de Jerusalém, mas logo aprendemos que estava associado com um antigo grupo de Maçons de Bristol.

O título completo do grau é Cavaleiro da Cruz Vermelha da Babilónia ou da Passagem da Babilónia. Ele consiste em três dramas ritualísticos, ou pontos, que narram três incidentes retirados dos capítulos 1-6 do Livro de Ezra, dos capítulos 2-7 do Livro de Esdras e dos capítulos 1-4 do Livro 11 d'As Antiguidades dos Judeus, de Josephus.

Este grau narra detalhadamente os motivos e os propósitos da reconstrução do Templo de Jerusalém. O líder do grau, conhecido como Mui Excelente Chefe, marca o exacto ponto na abertura do grau quando ele propõe a seguinte questão:

  • Excelente Primeiro Vigilante, que horas são?

Ele recebe a seguinte resposta:

  • A hora da reconstrução do Templo.

O ritual prossegue dizendo que Dario concordou em apoiar Zorobabel, o Príncipe de Judá, e emite um edito que permite a reconstrução do Templo e "ainda mais, os vasos de ouro e prata que Nabucodonosor tinha tomado serão restaurados e colocados em nos seus devidos lugares". Neste ponto da cerimónia, Dario nomeia o candidato, que faz o papel de Zorobabel, um cavaleiro do Oriente, e dá-lhe uma fita verde ornada com ouro o que significa a iniciação nos mistérios secretos.

Antes de ser permitido a Zorobabel deixar a corte de Dario e retomar a sua tarefa de reconstrução do Templo, é-lhe colocado (e a mais dois companheiros) um enigma por parte de Dario, cuja resposta correcta os cobrirá de grande prestígio e honra:

O grande Rei faz através de mim conhecido o seu contentamento e deste modo cada um de vós três dará a sua opinião em resposta à questão. O que é mais forte, o Vinho, o Rei ou as Mulheres?

O ritual então conta-nos as três respostas que foram dadas ao enigma de Dario. O primeiro jovem disse que o vinho era o mais forte porque ele podia alterar a mente e o humor de qualquer um que o bebesse; o segundo jovem disse que o Rei era o mais forte, pois, mesmo os soldados eram obrigados a lhe obedecer. Na vez do candidato Zorobabel falar, o ritual coloca as seguintes palavras na sua boca:

Ó, Senhores, é verdade que o vinho é forte, bem como os homens e o Rei; mas quem controla a todos? Certamente, as Mulheres. O Rei é o presente de uma mulher. As mulheres são as mães daqueles que trabalham nos vinhedos que produzem os vinhos. Sem as mulheres, os homens não podem existir. Um homem faz de facto coisas tolas pelo amor de uma mulher; dá a ela valiosos presentes e, algumas vezes, mesmo vende-se a si mesmo à escravidão por sua saúde. Um homem deixará o lar, o país e os títulos de nobreza pelo seu bem.

Ó, Senhores, não são as mulheres fortes, haja visto o que elas podem fazer?

Mas nem as Mulheres, o Rei ou o Vinho são comparáveis à poderosa força da Verdade. Como todas as outras coisas, eles são mortais e transitórios; mas somente a Verdade é imutável e eterna. Os benefícios que dela recebemos não variam com o tempo e com a fortuna. No seu julgamento não há injustiça; e ela é a sabedoria, a força, o poder e a majestade de todas as épocas.

Abençoado seja o Deus da Verdade.

Grande é a Verdade e poderosa é sobre todas as coisas!

Em face de tal evidência, ninguém pode negar que William St Clair era conhecedor deste grau maçónico que, até o presente momento, se acreditava inicialmente ter sido praticado após 1740. Ele é pelo menos trezentos anos mais antigo - e nós em breve descobriríamos evidências que o dataria para mais longe ainda.

(continua ...)

29 junho 2009

Os segredos de Rosslyn (I)

Iniciamos hoje a publicação em três partes de um artigo bastante curioso e cujo conteúdo pode ser polémico. Não reflete a opinião dos membros do Blog, mas unicamente a dos seus autores. As partes restantes serão publicadas na terça e na quarta-feira

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A pequena vila de Roslin localiza-se a aproximadamente quinze quilómetros ao sul de Edimburgo através da estrada para Penicuik, sendo famosa por três razões:

  • uma fazenda estatal experimental que tem produzido pares de ovelhas geneticamente clonados;
  • as ruínas de um castelo que foi destruído pelo Exército dos Roundheads quando a Guerra Civil Inglesa se espalhou até à Escócia;
  • uma não muito usual capela medieval.

A construção da Capela de Rosslyn foi iniciada em 1440 e tem demonstrado ser o mais antigo monumento que possui claras conexões com a Maçonaria moderna, os Cavaleiros Templários e a Jerusalém do primeiro século.

rosslyn_chapel_02Para compreender Rosslyn, temos que compreender os Cavaleiros Templários que eram, sem dúvida, a mais famosa ordem de guerreiros cristãos surgida no período medieval ou em qualquer outro. Estes monges guerreiros possuíam uma improvável concepção, uma existência controversa e um legado espectacular; todas essas características asseguraram que eles encontrassem o seu lugar dentro de mais de uma lenda. Factos extraordinários a respeito das façanhas dos Templários têm levado a que a fantasia e a realidade se confundam, não se sabendo exactamente qual é uma e qual é a outra.

Do mesmo modo que é completamente verdadeiro que muito de absurdo tem sido escrito a respeito dos Templários, seria absurdo admitir que eles eram apenas uma ordem comum que apenas surgiu para captar a imaginação de um número sem fim de tipos esotéricos. No mínimo, os Templários seriam qualquer coisa, menos comuns.

De acordo com avaliações aceites, esta bem sucedida e enorme ordem surgiu quase que por acidente em 1118, logo após a morte do primeiro rei cristão de Jerusalém, Balduíno I, e a sucessão por seu primo, Balduíno II. Costuma-se dizer que este novo rei foi procurado por nove Cavaleiros franceses que aparentemente o informaram que desejavam ser voluntários como uma audaciosa força de defesa para proteger os peregrinos dos bandidos e assassinos que havia nas estradas da Terra Santa. A história regista que o recém empossado rei imediatamente os alojou no sítio do Templo de Salomão e pagou o seu sustento por nove anos completos. Em 1128, apesar do grupo nunca ter se afastado do Monte do Templo, foram elevados à categoria de Ordem Santa pelo Papa pelos seus valorosos serviços na protecção dos peregrinos por toda uma década. Foi neste memento, que eles formalmente adoptaram o nome de Ordem dos Pobres Soldados de Cristo e do Templo de Salomão, ou simplesmente, "Os Cavaleiros Templários". Este reduzido grupo de homens medievais foi repentinamente posicionado como o exército de defesa oficial da Igreja Romana na Terra Santa. As hostes sarracenas devem-se ter divertido muito com isto!

As coisas mudaram rapidamente. Dentro de poucos anos, o bando de maltrapilhos que tinha acampado nas ruínas do Templo dos judeus, miraculosamente transformou-se numa esplendorosa, fabulosa e saudável Ordem que viria a ser os banqueiros dos reis da Europa.

Nós acreditamos que os registos dos livros de História sobre o surgimento dos Cavaleiros Templários são demasiado "simples" e, deste modo, precisávamos descobrir o que realmente ocorreu na segunda década após a Primeira Cruzada.

No nosso último livro, chegamos à conclusão de que os Templários não tinham protegido peregrinos, pois gastaram o seu tempo a escavar debaixo do Templo arruinado, à procura de algo, possivelmente o tesouro de Salomão. De facto, outros chegaram a conclusões similares antes de nós.

rosslyn_chapel_entryA verdadeira tarefa dos nove Cavaleiros era empreender buscas na área, de modo a obter certas relíquias e manuscritos que contivessem a essência da tradição secreta do Judaísmo e do antigo Egipto, alguns dos quais provavelmente remontassem à época de Moisés.

Em 1894, quase oitocentos anos após os Templários terem iniciado a escavação sob as ruínas do Templo de Jerusalém, os seus túneis secretos foram novamente sondados, nesta época por um contingente do exército britânico liderado pelo tenente Charles Wilson, membro dos Engenheiros Reais. Eles nada descobriram sobre os tesouros escondidos pela Igreja de Jerusalém, mas nos túneis cavados séculos antes, encontraram parte de uma espada templária, uma espora, restos de uma lança e uma pequena cruz templária.

Todos esses artefactos estão agora em poder de Robert Brydon, um arquivista templário na Escócia, cujo avô fora amigo de um certo Capitão Parker que tomou parte nesta e noutras expedições que escavaram debaixo do sítio do Templo de Herodes. Numa correspondência escrita enviada ao avô de Robert Brydon em 1912, Parker relata a descoberta de uma câmara secreta debaixo do Monte do Templo com uma passagem que ligava à Mesquita de Omar. Ao surgir dentro da mesquita, o oficial do exército britânico teve que fugir dos irados sacerdotes e fiéis para não morrer.

Não há dúvida de que os Templários de facto realizaram escavações maiores em Jerusalém e a única questão que nós precisávamos considerar era: o que é que os levou a empreenderem tal enorme projecto e o que é que descobriram? Quando estávamos a escrever o nosso último livro, embora estivéssemos convencidos de saber o que eles tinham descoberto, apenas podíamos especular que a motivação para toda esta aventura deveria ter sido uma caça ao tesouro.

Considerámos o mútuo juramento de aliança que os nove Cavaleiros estabeleceram no início de sua escavação, dez anos antes de se estabelecerem como a Ordem dos Cavaleiros Templários. Diversos livros sobre os Templários usualmente estabelecem que o compromisso era uma promessa de "castidade, obediência e pobreza" - que soa mais como um voto para monges do que para um pequeno grupo independente de Cavaleiros. Contudo, quando o juramento é analisado na sua origem latina, é traduzido por "castidade, obediência e manutenção de toda propriedade em comum".

Existe uma clara diferença entre jurar nada possuir e jurar compartilhar toda a prosperidade em comum - e prosperidade é o que eles obtiveram em pouquíssimo tempo!

Nós, entretanto, permanecemos intrigados pela natureza muito religiosa deste mútuo juramento. Outros observadores têm comentado sobre isto, pois sabem com certeza que os Templários, de facto, se tornaram uma ordem de monges guerreiros, mas como é que estes nove Cavaleiros saberiam o que iria ocorrer dez anos mais tarde? Muitas questões precisavam ser respondidas:

  1. Por que eles precisavam abraçar a "castidade" numa época em que os padres católicos romanos não o faziam?
  2. Porque é que um pequeno grupo de homens completamente independente precisou realizar um juramento de obediência e a quem é que eles planeavam serem obedientes?
  3. Se eles eram meros caçadores de tesouros, porque pretenderiam compartilhar toda a propriedade em comum quando o método usual seria o de dividir o espólio?

Para responder apropriadamente a estas questões, seria necessário conhecer um pouco mais a respeito das circunstâncias deste pequeno grupo de cavaleiros que se reunira em Jerusalém em 1118. Nós claramente sentimos que algo estava errado e nosso principal temor era que a verdade pudesse ter-se perdido ao longo dos séculos e que nós nunca conseguiríamos esclarecer as motivações destes homens.

Sentíamos que a conclusão razoável a respeito da segunda questão sobre a necessidade de "obediência" fortemente sugeria que outras pessoas deveriam estar envolvidas e que deveria haver um plano mais elaborado do que uma simples caça ao tesouro. Os três votos quando colocados juntos serviam mais aos padres do que aos Cavaleiros. Convem relembrar rapidamente o estilo de vida dos homens da comunidade dos Essénios descritos nos Manuscritos do Mar Morto: uma existência ascética que igualmente se aplicava aos líderes da Igreja original de Jerusalém que originalmente havia enterrado os manuscritos e os tesouros que os Templários descobriram.

rosslyn_chapel_ceiling_23655A partir de nossas pesquisas prévias, acreditamos que os manuscritos encontrados pelos Templários agora residem debaixo da Capela de Rosslyn na Escócia.

Um Santuário Templário

A Capela de Rosslyn está protegida por uma pequena estrada lateral passando por entre duas excelentes estalagens que somente pode ser notada por aqueles que se aventuram pela vila de Roslin. É difícil ver muito da edificação à primeira vista, uma vez que ela está obstruída por árvores e muros altos ao longo do lado norte, mas que estranhamente proporciona uma rápida visão da parede ocidental com as suas duas bases de colunas no ponto mais alto.

A entrada faz-se através de uma pequena cabana, onde lembranças podem ser compradas e onde é servido chá com biscoitos. Assim que se cruza a porta dos fundos da cabana, o esplendor desta curiosa e única capelinha é imediatamente óbvio e leva-se nada menos que alguns minutos para se perceber que esta é nada menos que um texto medieval escrito em pedra.

rosslyn_chapel_ceilingA proeza artística de William St. Clair não é semelhante a nada que nós já tenhamos visto anteriormente e nunca nos tinhamos encantado tanto com a aura gerada no interior e exterior celestialmente esculpidos. Como uma obra arquitectónica, ela não é particularmente graciosa, nem as suas dimensões físicas impressionam, mas mesmo assim instintivamente sente-se que este é um lugar muito especial.

Nós não encontramos nada de cristão nesta assim chamada "capela", uma observação que tem sido realizada por muitos observadores conhecidos por nós, desde então. Há uma estátua de Maria com um menino Jesus, um baptistério com fonte, alguns vitrais com alegorias cristãs, mas tudo isto são intrusões vitorianas ocorridas quando a capela foi consagrada pela primeira vez. Estes actos de "vandalismo" foram muito significativos, mas mal concebidos, uma vez que eles não puderam retirar a magnificência anterior da celestial edificação originariamente esculpida.

Esta construção cuidadosamente planejada não foi somente construída sem um baptistério, não possuía nenhum espaço para um altar no seu lado oriental e uma mesa de madeira hoje em dia serve para esse propósito no centro de um simples salão. A História regista que não foi consagrada até que a Rainha Vitória a visitasse e sugerisse que a mesma fosse transformada em uma igreja.

Construída entre os anos de 1440 e 1490, a estrutura é coberta por uma combinação de motivos celtas e templários que são instantaneamente reconhecidos pelos modernos Maçons. Preparados com um detalhado senso das antigas origens da Maçonaria, nós começamos a perceber que existem pistas precisas e secretas impressas na construção da edificação que estabelecem uma ligação sem qualquer dúvida entre o Templo de Herodes e esta maravilha medieval.

Há apenas dois salões: um salão principal e uma cripta que é acessível via uma escadaria no lado oriental. O salão possui catorze pilares, doze dos quais são iguais, mas os localizados no sudeste e no nordeste são únicos, ambos esplendorosamente esculpidos com diferentes desenhos. Frequentemente tem sido dito que estes pilares representam aqueles que existiam no átrio interior do Templo de Jerusalém e que são hoje em dia muito importantes para os Maçons.

Um exame mais atento revela-nos que a parede ocidental e a totalidade do piso foram projectados como uma cópia das ruínas do Templo de Salomão e a super estrutura acima do pavimento térreo e além da parede ocidental era uma interpretação da visão sobre a Jerusalém Celeste feita pelo profeta Ezequiel.

Os pilares principais - Boaz e Jachin - são posicionados precisamente do mesmo modo que aqueles existentes em Jerusalém. Nós sabíamos que o ritual do grau maçónico conhecido como Santo Real Arco descreve a escavação das ruínas do Templo de Salomão e claramente estabelece que deveriam haver dois esplendorosos pilares no lado oriental e mais doze de concepção idêntica exactamente como encontramos em Rosslyn.

Percebemos então, que o layout dos pilares formava um perfeito tríplice Tau (três formas de "T" unidos), exactamente como o descrito no ritual maçónico. Além do mais, de acordo com o grau do Santo Real Arco, também deveria haver um "Selo de Salomão" (idêntico à Estrela de David) fixado ao tríplice Tau e uma inspecção mais acurada revelou que toda a geometria da edificação era de facto construída em torno desse desenho.

Quando construiu Rosslyn, William St. Clair inseriu estas pistas e colocou o significado da descodificação deles dentro dos então rituais secretos do grau do Santo Real Arco. Através do ritual maçónico, ele explicou anos mais tarde o que ele estava a tentar dizer:

O tríplice Tau significa, entre outros significados ocultos, Templum Hierosolyma - o Templo de Jerusalém. Ele também significa Clavis ad Thesaurum - uma chave para um tesouro - e Theca ubi res pretiosa deponitur - Um lugar onde algo precioso está oculto - ou Res ipsa pretiosa - A própria coisa preciosa.

Esta era uma profunda confirmação de nossa tese de que Rosslyn era uma reconstrução do Templo de Herodes. Nós imediatamente imaginamos se este ritual da Maçonaria continha essas palavras para o único propósito de revelar o significado de Rosslyn ou se Rosslyn havia sido projectada neste formato para se confrontar com os conhecimentos mais antigos? Nesse momento isto não importava, pois estava claro para nós que William St, Clair era o homem que tinha estado envolvido em ambos. A definição maçónica do "Selo de Salomão" transcreve-se a seguir:

A Jóia de Companheiro do Real Arco é um triângulo duplo, muitas vezes chamado de Selo de Salomão, inscrito num círculo de ouro; na base há um rolo de pergaminho onde constam as seguintes palavras Nil nisi clavis deest - Nada é desejada a não ser a chave - e no círculo aparece escrito, Si tatlia jungere possis sit tibi scire posse - Se vós pudestes compreender estas coisas, vós conhecestes o suficiente.

rosslyn_chapel_entryWilliam St Clair tinha cuidadosamente escondido esta escrita secreta dentro dos rituais da Maçonaria, que devem ter existido anteriormente a 1440. Neste ponto, nós sabíamos que era certo que o arquitecto deste "Templo de Yahweh" escocês tinha inserido as suas próprias definições para estes antigos símbolos para que alguém num futuro distante pudesse "virar a chave" e descobrir os segredos de Rosslyn.

Os nove Cavaleiros originais que cavaram debaixo dos escombros do Templo de Herodes cuidadosamente mapearam as fundações abaixo do solo, mas eles não possuíam nenhuma condição para saber como a principal super estrutura se parecia, excepto pela secção da parede ocidental que ainda existia em pé naquele tempo. As principais paredes de Rosslyn equiparavam-se exactamente com a linha de paredes do Templo de Herodes descobertos pela expedição do exército britânico liderada pelo tenente Wilson e pelo tenente Warren, membros dos Engenheiros Reais.

(Continua...)

27 novembro 2008

A Maçonaria e a Revolução Farroupilha

A Maçonaria Regular não tem intervenção política e funciona dentro da legalidade vigente. Estes são dois princípios básicos e essenciais do comportamento da Maçonaria Regular em Democracia.

Mas, historicamente, nem sempre a Maçonaria assumiu esse comportamento. Umas vezes por opção própria, nomeadamente na variante dita Irregular ou Liberal, sempre mais interventiva politicamente. Outras vezes, porque a Democracia não estava presente, a tirania campeava e ser maçon, prosseguir o ideário de Liberdade que é apanágio da Maçonaria, implicou lutar pela Liberdade em falta, intervir mesmo em Revoluções.

A Itália fez-se enquanto país unificado muito graças à atuação de Garibaldi e outros maçons. A América Latina ganhou a sua liberdade e a independência de vários dos seus países graças aos esforços de Simón Bolívar e seus companheiros, muitos deles também maçons. Maçons também deram os seus esforços para a instauração da República em Portugal.

Alguns dos episódios que ajudaram a forjar a identidade brasileira também têm a intervenção decisiva de maçons. É o caso da Revolução Farroupilha, que foi desencadeada pelos membros da loja maçónica Philantropia e Liberdade, sob a direção do seu Venerável Mestre Bento Gonçalves da Silva.

Pelo seu interesse histórico, eis um extrato da sua Prancha (ou Balaústre) n.º 67, relativa aos trabalhos da sessão da Loja de 18 de setembro de 1835, que transcrevo sem qualquer edição, tal qual a descobri num artigo do Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva, professor do Colégio Militar de Porto Alegre, publicado em 7 de novembro de 2008, no jornal eletrónico Última Hora News:

Aos 18 dias do mês de setembro do ano de 1835 da E:.V:. e 5835 da V:.L:. reunidos em sua sede, sito a Rua da Igreja, Nº 67, em um lugar Claríssimo, Forte e Terrível aos tiranos, situado debaixo da abóbada Celeste do Zenith aos 30º e 5´ de Latitude da América Brasileira, ao Vale de Porto Alegre, Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, nas dependências do Gabinete de Leitura onde funciona a Loj:. Maç:. Philantropia e Liberdade, com o fim de especificadamente traçarem as metas finais para o início do movimento revolucionário com que seus integrantes pretendem resgatar os brios, os direitos e a dignidade do povo Riograndense.

A sessão foi aberta pelo Ven:. Mestre Ir:. Bento Gonçalves da Silva. Registre-se a bem da verdade, ainda as presenças dos IIr:. José Mariano de Mattos, Ex Ven:. José Gomes de Vasconcelos Jardim, Pedro Boticário, Vicente da Fontoura, Paulino da Fontoura, Antonio de Souza Neto e Domingos José de Almeida, o qual serviu como Secretário e lavrou a presente ata. Logo de início o Ven:. Mestre depois de tecer breves considerações sobre os motivos da presente reunião de caráter extraordinário, informou a seus pares que o movimento estava prestes a ser desencadeado. A data escolhida é o dia 20 do corrente, isto é, depois de amanhã. Nesta data, todos nós, em nome do Rio Grande do Sul, nos levantaremos em luta contra o imperialismo que reina no País.

Na ocasião, ficou acertada a tomada da Capital da Província pelas tropas dos IIr:. Vasconcellos Jardim e Onofre Pires, que deverão permanecer com seus homens nas imediações da Ponte da Azenha, aguardando o contingente que deverá se deslocar desde a localidade de Pedras Brancas, quando avisados. Tanto Vasconcellos Jardim como Onofre, ao serem informados responderam que estavam a postos aguardando o momento para agirem. Também fez ouvir o nobre Vicente da Fontoura que sugeriu o máximo de cuidado, pois certamente, o Presidente Braga seria avisado do movimento.

O tronco de Beneficência fez a sua circulação e rendeu a moeda cunhada de 421$000 contados pelo Ir:. Tes:. Pedro Boticário.

Por proposição do Ir:. José Mariano de Mattos, o tronco de Beneficência foi destinado à compra de uma Carta de Alforria, de um escravo de meia idade, no valor de 350$000, proposta aceita por unanimidade.

Foi realizada uma poderosa Cadeia de União, que pela justiça e grandeza da causa, pois em nome do povo Riograndense lutariam pela Liberdade, Igualdade e Humanidade, pediam a força e a proteção do G:.A:.D:.U:. para todos os Ir:. e seus companheiros que iriam participar das contendas.

Já eram altas horas da madrugada quando os trabalhos foram encerrados, afirmando o Ven:. Mestre que todos deveriam confiar nas LL:.do G:.A:.D:.U:. e como ninguém mais quisesse fazer uso da palavra, foram encerrados os trabalhos, do que, eu Domingos José de Almeida, Secretário, tracei o presente Balaústre, a fim de que, a história através dos tempos, possa registrar que um grupo de Maçons Homens Livres e de Bons Costumes, empenhou-se com o risco da própria vida, em restabelecer o reconhecimento dos direitos desta abençoada terra, berço de grandes homens, localizada no extremo sul de nossa querida Pátria.

Oriente de Porto Alegre, aos dezoito dias do mês de setembro de 1835 (E:.V:.)

18º dia do sexto mês Tirsi da V:.L:. ano de 5835.

Assinado: Ir:. Domingos José de Almeida - Secretário

Uma última nota é de fazer ressaltar: mesmo preparando uma revolução, com todas as incertezas e riscos inerentes, aquela Loja não deixou de destinar uma muito grande parte do produto do Tronco de Beneficência talvez ao mais meritório dos destinos que, na época e no lugar, podia ser destinado: à libertação de um escravo! Não há grande nem pequena liberdade. Há simplesmente Liberdade. Aqueles maçons decidiram lutar contra a tirania e em prol da Liberdade. Mas não olvidaram o dever de zelar pela libertação de quem era ainda menos dotado de liberdade do que eles: um escravo. Enquanto não era possível acabar com a escravatura, os maçons daquela Loja faziam o que era possível: acabar com ela... um a a um. O que nos deixa uma lição: por muito impossível que pareça uma empresa, por muito difícil que seja afrontar o que parece não se conseguir derrotar, é sempre possível algo fazer. Muitos poucos acabam por fazer muito!

Rui Bandeira

12 setembro 2008

Cenas do Sec.XX em Portugal

Ainda há uma semana fiz uma referência ao "estado da arte" em Portugal dos anos 50/60 do Séc.XX quando puxei o exemplo da garrafa de Coca-Cola no texto do dia 4 p.p.
Como é fim de semana e tentando contribuir para a boa disposição dos leitores cá vos trago uma "anedota" deste jardim à beira mar plantado.
Caberia plenamente sob o título de "Portugal no seu melhor", mas de facto na minha opinião seria "Portugal no seu pior", pelo que prefiro pura e simplesmente mostrar-vos a imagem de um documento extraordinário, que descobri através de um Velho Amigo (só podia ser...).
É um momento da história deste país e da sua gente, tão capaz de seguir à frente na descoberta científica como de mostrar o maior atraso na organização da vida dos seus habitantes.

Como a leitura não ficou famosa, fica o esclarecimento.
Trata-se da aplicação do "Imposto sobre pianos" em Janeiro de 1921, conforme Dec.Lei 7002 de 15 de Setembro de 1920 !
Nessa época era necessário ter licença do Estado para se ter um piano, e para tal havia que pagar o respectivo imposto.
Como diria alguém "era a vida !..."
Só não sei se este contribuinte se relaciona com algum familiar do nosso querido Rui Bandeira. Mas pelo menos Bandeira é.
JPSetúbal

28 setembro 2007

Presença do Conde Lippe em Portugal

A - Introdução

Iniciam-se estas reflexões por um ligeiro esboço da situação político/militar em Portugal antes da Guerra dos 7 anos. Procura-se seguidamente apresentar um breve perfil do Marechal-General Conde de Lippe, quer como militar, quer como homem, fazendo referência daquilo que se julgou ser o mais importante legado ao nosso país; e conclui-se focando o Conde de Lippe como Maçon.

D. José I era o rei de Portugal e tinha como Primeiro-Ministro, Sebastião José de Carvalho e Melo, a quem concedeu o título de Conde de Oeiras em 1759, e mais tarde, em 1769, o título de Marquês de Pombal.

Sem ameaças exteriores e com a necessidade interna de diminuir o poder do exército, o governo de D. José I, descurou completamente o aparelho militar. O Marquês de Pombal, por desafecto às instituições militares, ou porque de todo o absorvia o delírio de aniquilar a companhia de Jesus e a Nobreza, recordo que só os nobres tinham acesso aos postos mais elevados da hierarquia militar, tornou-se tão sensível a degradação do exército e a sua penúria, que teve dificuldade em reunir tropas que policiassem Lisboa após o terramoto de 1755. Portugal estava em paz há 48 anos, desde a guerra de sucessão de Espanha (1701-1714). Os militares desabituaram-se de suportar as armas, os generais de suportar a disciplina e o poder político de suportar o exército, na prática, não existiam Forças Armadas. Em 1756, deflagrou, para a época, uma autêntica guerra mundial – a guerra dos 7 anos – entre a França e a Inglaterra. Portugal manteve-se neutral, solução aparentemente lógica, mas a verdadeira razão desta postura, era e tem-no sido frequentemente, por não termos Forças Armadas que nos permitissem batermo-nos com as potências beligerantes, ou melhor, a ausência de Forças Armadas. Contudo, um encontro naval entre as esquadras Inglesas e Francesas em águas territoriais Portuguesas, com a subsequente derrota Francesa e a perseguição aos navios Franceses até junto dos Fortes da cidade de Lagos. Este episódio serviu de motivo para reclamações da França e uma posterior invasão do território nacional por forças espanholas, em 1762, que se tinha mantido também neutral. Mas, após a subida ao trono de Carlos III em 1759, anti-britânico, facilitou uma aliança entre a Espanha e a França, denominada na época “Pacto de família” assinado em 15 de Agosto de 1761, pois os Bourbon reinavam em França, Espanha, Nápoles e Parma. De salientar que D. José I recusou-se a aderir ao pacto, em virtude da velha aliança Luso-Britânica.

Toda a política externa de Portugal andava à volta da antiga aliança com a Inglaterra, mais por interesse de manter as suas ex-colónias, nunca se virando para a Europa, fronteira terrestre. País ribeirinho e projectado pelo mar nos outros continentes, encontrou-se sempre numa situação incómoda de ser fronteira, zona de interesse, campo de manobra, margem de discussão e apetites, das grandes potências europeias, entre os poderes marítimo e continental – a dialéctica entre o mar e a terra. Porque a geografia é tirânica e persistente, não era a 1ª vez que enfrentávamos este dilema, nem seria a última – com Napoleão de 1801 a 1814, a situação ainda foi mais dramática pela intensidade da luta. Situação que ainda hoje persiste, embora atenuada pela perda do Ultramar.

O Conde de Oeiras solicitou ajuda para a defesa do território pela invasão das tropas Espanholas à Inglaterra. O pedido era explícito na necessidade de nomear um “Mestre-de-Campo-General” que conseguisse organizar o exército, e o envio de uma vasta quantidade de equipamento e tropa. O Rei de Inglaterra, Jorge II, escolheu Guilherme Schaumburg-Lippe, conde reinante do pequeno condado Schaumburg-Lippe desde os seus 24 anos de idade. O Conde de Lippe, embora fosse Alemão de nascimento, possuía uma elevada reputação militar e gozava de grande estima, até porque era membro da família real Inglesa.

B – O conde Lippe como militar:

O conde Lippe chegou a Portugal em 02.07.1762 regressando ao seu condado em Setembro de 1764 e fazendo uma visita a Portugal no período 1767-68, fez-se acompanhar por vários oficiais alemães, entre os quais, o príncipe Carlos Luiz Frederico, Duque de Mecklamburg, marechal de campo do exército Inglês e irmão da rainha Inglesa. O Conde de Lippe verá consagrado o tratamento por Alteza Sereníssima, ocupará o lugar cimeiro da hierarquia e debate os problemas directamente com o Conde de Oeiras. A sua autoridade encontra-se plenamente consolidada após o episódio, real ou inventado, do atentado contra o Rei D. José I, e a espectacular eliminação física de um conjunto de elementos da primeira nobreza, considerados como “conspiradores”.

O Conde de Lippe assentou praça nas guardas inglesas, posteriormente passou à marinha e esteve na companhia contra os turcos em 1745. Em 1748, sucedeu ao seu pai no governo do seu condado. No começo da guerra dos 7 anos (1756) ligou o exército que organizara, segundo as regras prussianas, às tropas de Hanôver. Teve o cargo de grão mestre de artilharia, tomando parte em várias batalhas. Para um militar experiente no campo de batalha e que acompanhava a evolução dos exércitos mais modernos da época, quando chegou a Portugal, verificando o estado do nosso exército e para fazer face à invasão das tropas Espanholas, concentrou o seu primeiro esforço em disciplinar o exército. Fê-lo, quer no campo da moral, tentando acabar com uma das maiores fontes de deserção das praças e do descontentamento dos oficiais – o pagamento do pré atempadamente. No campo material, procurou fardar e equipar o pessoal o melhor que pôde.

Em 1762, inicia-se a invasão espanhola e as primeiras 5 praças, caíram sem que tivesse sido dado um tiro. O Conde de Lippe, avaliando um fraco valor militar das suas tropas, procurou apenas obstar a que o exército espanhol não entrasse muito em território nacional, mas o suficiente para ter que se dispersar e limitou-se a uma guerra de posição, concebendo a sua estratégia:

- Conseguiu mobilizar a população para o conceito do “direito de defesa” em que atacava as rectaguardas e flancos e essencialmente as colunas de reabastecimento. Tipo guerra de guerrilha.

- Constitui um exército de 15.000 homens em igual proporção de portugueses e ingleses dispersando-os em 5 destacamentos que os colocou em expectativa, de modo a poder lançá-los, com oportunidade, nos pontos ameaçados, para ofensivas rápidas, mas determinadas.

- Guarneceu as praças com as tropas menos preparadas

Madrid, apercebendo-se da estratégia montada, obrigou à suspensão da ofensiva, querendo substituir o Comandante da Forças – Marquês de Sarria - pelo Conde de Aranda, oficial mais experiente em campanha.

Esta quebra de ímpeto, permitiu ao Conde Lippe, rearticular os seus destacamentos, manobrando-os em reacção ao inimigo. Entretanto, a paz de Fontainebleau pôs termo à guerra dos sete anos e fazia suspender as operações entre Portugal e Espanha. O tratado de paz definitivo que assegurou a restituição recíproca de prisioneiros e a devolução das praças ainda ocupadas (Chaves e Almada) só foi assinado em 10 de Fevereiro de 1763, sendo publicado em Lisboa no dia 25 de Março. Desde o início da campanha e durante ela, teve contra si, a má vontade dos vedores (entidades que tinham por missão o pagamento dos salários e aquisição dos géneros e artigos militares) como também da maioria dos generais e oficiais superiores, fidalgos aparentados entre si. O Conde era militar das luzes desejoso de aprender, intelectual e militar ímpar, ao contrário da grande maioria dos oficiais portugueses de perfil tradicional.

Ao perfil do Conde de Lippe, permito-me sublinhar ou acrescentar alguns traços, que parece justo serem realçados:

  1. Grande capacidade de comando. Se comandar é o correcto exercício da autoridade sobre as forças militares e a autoridade é a capacidade de ser obedecido, ele conseguiu, com a prudência e o tacto que a difícil situação recomendava, mas com um elevado sentido de responsabilidade e perseverança, tornando-se efectivamente no Comandante do Exército Português.

  2. Sentimento de honra. Servindo um rei estrangeiro em terra alheia, desinteressado dos bens materiais e repouso que a condição lhe merecia. A transformação que exerce no espírito do soldado Português, aliás, como ele descreve nas suas memórias “Admirável perseverança do soldado português”, que suportou as maiores privações, e que, não obstante o pronto estrago do calçado, marchava alegremente por aqueles caminhos de agudos rochedos, deixando por toda a parte vestígios dos seus pés ensanguentados.

  3. Elevada capacidade de organização. Sendo já evidente na campanha de 1762, ficou sobejamente comprovada pela sua acção posterior, pelo cuidado posto na reorganização do exército.

C – O Conde Lippe como homem:

Vejamos em breves traços o seu perfil e personalidade. O conde chegou a Lisboa em 2 de Julho de 1762, com 38 anos, de nome completo Frederico Guilherme Ernesto, filho do conde Alberto Wolgang, estudou em Leida e Montpelier. Era versado em matemática, ciências militares, artilharia, história, filosofia e ainda ciências políticas a até medicina. Dominava várias línguas e foi grande amador musical, exímio executante de cravo e violino. Além da vastíssima cultura intelectual, era dotado de forte constituição física, sóbrio na alimentação e pouco dormia. Era forte na esgrima, cavalgando admiravelmente e muito ágil no salto em altura. Magro, nervoso e robusto, de testa larga, olhos rasgados e proeminentes. Inteligente e benévolo, era sóbrio na palavra, mas esta corria-lhe sempre lúcida e afável. Trajava, sempre fato azul singelo, sempre abotoado, não se distinguindo senão pela cruz da Águia Negra bordada, que usava sempre na sobrecasaca. Andava sempre de chapéu armado e de botas altas.

Não resisto a transcrever, como o seu secretário e intérprete, Manuel Arriaga Brun da Silveira, o descreve: “ O que desculpa e disfarça tudo, é o Sr. Marechal, menos o que respeita ao serviço de El-Rei, em que então não se pode conter. Não vi homem mais desprezador dos trabalhos, das fadigas, do fausto; reparte o tempo no conhecimento do país e na expedição das ordens e exposições. É inimigo da lisonja, do cortejo, do cortejo, do aplauso; o que quer é ver o soldado, o oficial no seu posto; dá com uma cega generosidade e mostra não saber o que é uma moeda de 6.400; é calado, amigo do silêncio e da ordem”.

D – Transformação do exército – Legado

Terminada a campanha de 1762, o conde de Oeiras não quis descurar o problema militar e, protelando a partida do Conde de Lippe, desejoso de regressar a casa, aproveitou a sua permanência para dotar o exército de uma nova organização e de regulamentação adequada a consolidar a disciplina das tropas e promover a sua instrução

O Conde de Lippe, pela sua experiência concluiu, que só poderia ter êxito se se verificasse:

- Total envolvimento do poder político nessa transformação. Este tem de compreender a necessidade da mudança, disponibilizar recursos e acima de tudo acompanhar o processo de mudança, já antevia a necessidade de subordinação das Forças Armadas ao poder político.

- A transformação das forças armadas tem de ser sentida e levada a cabo por toda a hierarquia da organização nomeadamente na sua estrutura superior, principalmente a capacidade de liderar a motivar toda a cadeia de comando.

- Em resumo, para se efectuar a mudança militar, são essenciais três fontes: normas culturais, a política e a estratégia, e novas tecnologias.

Elaborou os regulamentos sobre:

- Pessoal: Regionalização do recrutamento

- Justiça: A manutenção da disciplina nas fileiras constitui uma das suas principais preocupações, tendo sido introduzido pela 1ª vez o conceito de foro militar.

- Liderança: O Conde acaba definitivamente com as promoções por favor adoptando critérios de competência e mérito. Passa a ser-se nobre por ser oficial e deixa de haver oficiais só por serem nobres.

- Ensino: Cria o real colégio dos nobres, assim como bibliotecas em todas as unidades militares. Segundo afirmava – a leitura serve para se formar o espírito militar e prover-se de ideias: por ela se enriquece com as luzes e com a experiência dos outros.

- Treino: Determina a execução de manobras militares, periódicas, com o objectivo do ensino e prática das evoluções e implementação de novas tácticas. Faz com que o poder político, representado pelo rei e pelo primeiro-ministro, estejam presentes.

- Tecnologia: Restaura várias fortalezas e a construção do Forte da Graça em Elvas completou o sistema defensivo.

Posteriormente e com a partida definitiva do Conde de Lippe, o governo do Marquês de Pombal desinteressou-se pela sua obra, quase em absoluto. Segundo alguns autores, a inexistência de um exército forte, disciplinado e bem comandado deriva de uma deliberada intenção do Conde de Oeiras de não criar algo que pudesse constituir um entrave à forma como exercia o poder.

Em conclusão, o legado do Conde de Lippe, não são apenas livros e documentos que podemos ler em transcrições, ou que dormem tranquilamente na poeira dos arquivos. O seu legado é o exemplo do profissionalismo, a transcendência da missão de defesa, a actualidade de muitas das suas preocupações. É enfim, a necessidade de o reler, para quem tem, por dever conseguir a nossa defesa sem termos que chamar, outra vez, um Conde de Lippe.

E – O Conde de Lippe como maçon:

Como já referi, o Conde de Lippe residiu em Portugal de 2 de Julho de 1762 a 20 de Setembro de 1764, e, posteriormente, de 16 de Setembro de 1767 a 1 de Março de 1768. Era maçon de rito alemão da estrita observância. Através do seu perfil, já pudemos observar, que nele imperavam os valores sagrados de uma espiritualidade humanista e de uma ética radicada no respeito pelo semelhante e pela sociedade. Observava com rigor a fraternidade assente na igualdade de oportunidades e na correcção das desigualdades, no respeito por todos. Praticava a tolerância, a paz e compreensão, única forma de tornar profícua a busca da luz.

Rodeou-se de oficiais também maçons, que trouxe consigo para Portugal. O seu papel na Maçonaria foi relevante desde 1762, quando os seus oficiais, conquistaram adeptos em franjas do tecido social, principalmente no exército, mas também na nobreza, diplomacia, mercearia e cultura. Fundaram-se várias lojas: em Lisboa, Valença, Funchal, Coimbra, Almada, Elvas, Olivença, Estremoz e outras, onde quer que existissem guarnições militares importantes. E quando não houve oportunidade, ou iniciativa, para a instalação de oficinas, houve “irmãos“, dispersos por todo o país que difundiram os ideais maçónicos, contribuindo para o seu melhor conhecimento por parte dos Portugueses. A tradição da profunda influência do Conde de Lippe na Maçonaria Portuguesa mantinha-se ainda bem viva em meados do século XIX, conforme declarações de “irmãos” bem informados, como Silva Carvalho em 1846, ou Miguel António Dias em 1853.

A sua intervenção teve ainda mais relevo, até porque na época, a Maçonaria encontrava-se adormecida, pelas seguintes razões:

Em 28 de Abril de 1738, o Papa Clemente XII, a coberto da bula In Eminenti Apostolatus Speculu, formulou a primeira das muitas condenações da Igreja Católica contra a Maçonaria. Condenava e proibia os conventículos, local de reunião dos Pedreiros-livres, proibia aos católicos que neles entrassem, ou de qualquer forma, que os propagassem, ocultassem e auxiliassem, sob pena de excomunhão, e ainda ordenava aos bispos e aos inquisidores que inquirissem os transgressores e contra eles procedessem, castigando-os.

O inquisidor-mor Português, cardeal D. Nuno da Cunha, lembrando a existência de lojas maçónicas em Portugal e a consequente necessidade de fazer publicar a bula em Lisboa quanto antes.

O Edital da Inquisição, datado de Lisboa a 28 de Setembro de 1738, após sumariar a bula papal, admoestava e exortava todos os católicos portugueses e residentes em Portugal, a que lhe dessem cumprimento, e mandava, sob pena de excomunhão, que todos, quer eclesiásticos quer seculares, denunciassem ao Santo Ofício, as lojas ou assembleias maçónicas que conhecessem, dentro do prazo de 30 dias. Para que não se pudesse alegar desconhecimento, o edital era enviado aos abades, priores, reitores do reino e conquistas, para que o lessem e publicassem nas igrejas e fizessem afixar às respectivas portas.

Assim, a intervenção violenta do poder inquisitorial travou durante algum tempo a expansão da Maçonaria.

Com a morte de D. João V, a 30 de Julho de 1950 e a subida ao trono de D. José, o poder caiu gradualmente nas mãos de Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Conde de Oeiras e Marquês de Pombal.

Acontece que o novo ministro nunca permitiu que a inquisição perseguisse os maçons.

A razão mais plausível, é que Carvalho e Melo pode ter sido iniciado Maçon em Londres, entre 1738 e 1744, ou, com menos probabilidade em Viena, entre 1745 e 1749, tal como foi aceite sócio da prestigiada Royal Society. Em Viena, conviveu com Maçons conhecidos e ilustres, p. ex. Manuel Teles da Silva, duque e príncipe de Silva Tarouca, e dá-se como certo que tivesse visitado a loja “Aux Trois Canons”.

Verificou-se uma tolerância plena para com maçons confessos, guindando-os aos mais altos cargos e favorecendo-os com a sua protecção declarada.

O quarto de século que grosso modo, correspondem à governação de Sebastião José Carvalho e Melo – Marquês de Pombal, além de ser rico em iniciações, quer de cidadãos nacionais que residiam no território, como tivemos oportunidade de verificar, também aqueles quer que residissem no estrangeiro ou de passagem, pertencentes às mais variadas profissões, verificam-se uma riqueza de simbologia maçónica, nomeadamente em construções, fotografias e estátuas.

BIBLIOGRAFIA:

1 – História da Maçonaria em Portugal de Oliveira Marques
2 – Maçonaria Regular de José Manuel Anes
3 – General Barrento – O exército português antes e depois do Conde de Lippe
4 – Um olhar actual sobre a transformação do Conde de Lippe de Miguel Freire
5 – Nova história militar de Portugal.


A. M. L.